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Sexta-feira, Dezembro 28, 2001

 
Bebida (alcoólica, que fique claro) é parte fundamental da vida do ser humano. Mesmo na dos abstêmios. Todo mundo coleciona diversas histórias que, direta ou indiretamente, estão relacionadas à bebida, principalmente naquilo que diz respeito aos seus efeitos.

Talvez o momento que melhor marque a passagem da adolescência para maturidade seja o momento em que você passa a conhecer, pelo nome, mais barmans do que bedéis escolares.

E nada como um bom barman. Há raríssimos bons, por sinal. Dos que sabem misturar um manhattan, fatiar um limão para uma caipirinha, resfriar o copo para um dry martini. E, claro, dos que sabem tirar um bom chopp.

Tirar um chopp, por sinal, é um dom para poucos. Oito anos de curso intensivo em Harvard não fazem um bom tirador de chopp. É preciso nascer com a mão moldada para regular a pressão e controlar o fluxo de vazão da chopeira.

Tenho Joaquim, barman do Bar Léo, que tira o melhor chopp do país, como um Pelé em avental branco. Dizem que o passe dele vale mais do que o próprio Bar Léo. Não duvido.

O fato é que poucas coisas se assemelham a um bom colarinho branco, espesso e cremoso, montado sobre um líquido gélido e dourado.

E colarinho, que fique claro, é fundamental. Cerca de três dedos. Mantém a pressão e temperatura, além de consistir no mingau dos boêmios. Já vi gente ser enxotada do Léo por insistir em pedir chopp sem colarinho. Vibrei. Que mandem os hereges à fogueira.

Mesmo para a moribunda cerveja engarrafada, colarinho é essencial. Aliás, a lógica do colarinho de garrafa é deveras interessante. Não importa o tamanho, altura a espessura do copo: um bom bebedor sempre saberá como despejar a garrafa cerveja até que o colarinho suba milimetricamente à beira do copo, até o limite final, porém sem molhar a mesa.

Mas isso requer prática. Anos de bebedeira. A mão acostuma.

Os iniciantes, porém, por mais que tentem, sempre derramam cerveja no balcão. Para eles, dica de um amigo etílico: primeiro derrame a cerveja de supetão, até obter um colarinho da altura desejada. Em seguida, despeje o líquido vagarosamente, fazendo o colarinho subir até a borda do copo, ao ponto de o mesmo estar totalmente preenchido. Eis um copo no ponto certo de abate.

Parafraseando Pasteur: há mais filosofia num bom copo de chopp do que em todos os livros......

Sexta-feira, Dezembro 21, 2001

 
História deste Blog.

Num fim de semana qualquer, em meados de novembro deste ano, sem nada melhor para fazer, fui convidado pelo meu amigo Albertin para ir até sua casa, junto com outros amigos, para tomar uns gorós e papear.

Conversa vai, conversa vem, eis que meus amigos Américo e Ana T (namorados e gente fina, por sinal), começam a falar de blogs.

Já tinha ouvido falar antes de blog, mas confesso que não sabia, exatamente, do que se tratava. Diário? Homepage? Coluna? Enfim.

Eis que, em determinado momento, após muitos martinis, conhaques, vodkas, whikies e afins, nascem dois projetos de blogs: O Martini Diaries, do Albertin (aliás, os drinks das fotos foram produzidos naquela noite), e o blog deste que vos fala (cujo título foi sugestão da Ana T, após eu me declarar um agnóstico descrente).

Coisa de bêbado, claro. Por iniciativa própria, nunca faria um blog. Mas, no fim, ter um espaço despretensioso para manifestar opiniões e devaneios soou bem interessante. Então, superei a preguiça inerente e escrevi um ou outro post. E apenas 4 ou 5 pessoas, amigos próximos, sabiam que eu tinha (tenho) um blog.

Eis que um dia, recebo um e-mail de um desconhecido, com os dizeres: "Seu blog foi citado nos piores blogs", ou algo assim.

Fiquei puto, claro. Mal tinha começado a escrever a bagaça e já tinha um cara achincalhando meu blog!

Respondi um e-mail invocado pro tal desconhecido, perguntando, em linhas gerais, qual seria o problema do meu blog.

Eis que Ana T e Américo, blogueiros de maior expertise, me falam: "Meu, que legal, você foi citado nos piore blogs! Parabéns! Isso é muito dificil! O desejo de todo blogueiro é ser citado nos piores blogs ou no Jackie Miller!" etc.

E eu, surpreso: "Ah, é?"

E no mesmo dia recebo outro e-mail do tal desconhecido, dizendo que, na verdade, meu blog não estava sendo denegrido pelo tal de piores blogs, pelo contrário. E falando para eu acessa-lo e verificar.

De fato, havia um pequeno post sobre este blog, falando sobre "proposta objetiva" (sabe-se lá o que isso significa) e aconselhando a galara a conferir.

Então pensei: "Ops, gafe!"

Depois, até mandei um e-mail agradecendo, pois o cara foi legal, indicou meu blog e tal.

Mas, convenhamos: por que cargas d'água o sujeito vai chamar um site de análises de blog de "Piores Blogs"? Não deveria ser "Melhores e Piores Blogs", ou algo assim? É verdade que, vendo a página, até pelo subtítulo ("nem sempre falando mal do blog alheio") é possível notar que o objetivo do piores blogs não é apenas criticar negativamente. Mas, sei lá, pra quem não conhece, a primeira impressão é que o cara está te achincalhando.

Mas, ok, reconheço a culpa mesmo é dos desinformados, como eu.

E, pra falar a verdade, este lance de metaliguagem me apraz. Blog sobre blogs. Lembra até o já célebre link metalinguístico, de minha jurássica homepage.

Terça-feira, Dezembro 18, 2001

 
Recomendação: Site da Palatur.

Este site, feito pelo amigo Alexandre Paladini (engenheiro, piloto de kart, hacker e cineasta), possui, além dos criativos curtas (destaque para "Matrico"), seções geniais, como o "Super Trunfo 2000" e "Toninho Rent a Car". Não obstante, o igualmente genial Nishizaki, presidente do KFC, é eleito, merecidamente, fã do mês.

Valeu, Nishi!

Quarta-feira, Dezembro 12, 2001

 
Programa 25ª Hora, conduzido por pastores da Igreja Universal. Tema em discussão: proibição das lutas de Vale-Tudo em São Paulo. O pastor pede para que pessoas liguem e comentem o assunto. Liga um sujeito, que abre sua argumentação com pé direito:

"Pastor, eu acho que tem que se levar em conta que as lutas vêm desde o tempo em que o ser humano é gente....."

Falei que é legal ser trasher.....

Segunda-feira, Dezembro 10, 2001

 
Show do Milhão. No palco, uma estudante do terceiro ano de biologia, de uma faculdade qualquer de Brasília. Pergunta: "Os anelídeos são animais (1) vertebrados; (2) bípedes; (3) invertebrados; (4) anuros."

E a moça, com expressão tensa "Ai, estou em dúvida entre a alternativa 1 e a 3!".

Em outras palavras: a estudante de biologia, em rede nacional, não sabe se minhoca tem ou não coluna vertebral.

Ah, a educação no Brasil.....


 
Além de botequer, aguatonicker e jazzer, sou um trasher. Gosto de coisas trash. Não tenho a menor vergonha (como muitos têm) de gostar - e falar que gosto - de coisas trash.

Vale ressaltar que trash, no meu conceito, é muito diferente do geralmente se define por ai, ou seja, que trash é, pura e simplesmente, sinônimo de "muito ruim". Isso não é verdade. Algo trash pode, eventualmente, até ser muito ruim, mas isso não necessariamente é uma realidade, muito menos pré-requisito. Algumas coisas trash são muito boas, às vezes até dentro de padrões técnicos/formais/artísticos de mensuração de qualidade. E há muita coisa ruim que não é trash. A maioria delas, diga-se de passagem.

Vamos pegar o exemplo da música, por exemplo. Nada é pior do que o trio axé/sertanejo/pagode. E nenhuma das bandas/cantores(as) que realmente fazem sucesso comercial, e vendem muito, são, de fato, trash. São mesmo é ruins, muito ruins. Mas não são trash.

Aliás, se a legislação anti-drogas fosse séria, o consumo destes "artistas" seria proibido, e a venda dos respectivos CDs seria considerada tráfico. Como não é, viva a hipocrisia: vamos mesmo proibir a maconha e liberar o "Katinguelê". Mas essa é uma outra discussão. São outros quinhentos (another five hundred, como diria o Millôr).

Mas, voltando ao assunto: o trash, por definição, não pode ser levado a sério. Ou melhor, pode até ser levado a sério por quem faz, mas nunca por quem assiste. Neste sentido, há muitas pessoas que não percebem a natureza trash daquilo que fazem, o que, aliás, torna a experiência trash dos que assistem muito mais prazerosa.

Por outro lado - e isso é um problema - há muitas pessoas que não conseguem perceber a natureza trash daquilo que assistem. Ou seja, descumprem o pré-requisito essencial do trash e acabam por levar a coisa toda a sério. Erro!!! Isso não pode ser feito, nunca! Em geral, as pessoas que levam o trash a sério também costumam levar a si mesmas muito a sério, o que também é um erro.

E, como levam o trash a sério, não entendem a natureza do mesmo, e fazem críticas, no mínimo, inadequadas. Procuram conteúdo, profundidade e seriedade onde não há. E não há porque justamente porque não deve haver! Por isso que é trash, oras!

Por exemplo, vi, outro dia, gente criticando o programa "Casa dos Artistas" (o qual, diga-se de passagem, acho o máximo, não perco quase nenhum) porque "O QI da casa somado não bate o de uma ostra", ou "O Alexandre Frota só fala bobagem", entre críticas do gênero.

Mas se espera o que? Que o cara fale sobre filosofia pré-socrática? Que ele discorra sobre física quântica? Que ele explique o sentido da vida?

Ah, dêem um tempo!

É a velha história: levam a sério algo que não pode ser tido como sério. Quer papo cabeça? Vá a uma palestra da Marilena Chauí sobre Spinoza, ou a uma reunião do Paredon!

Aliás, outro dia li um ótimo artigo do Marcelo Rubens Paiva, dizendo que uma "Casa dos Intelectuais" talvez fosse até mais interessante de se assistir, mas, no fim das contas, os doutos iriam brigar pra ver quem deveria lavar a louça e bobagens congêneres, além de tramar conchavos e intriguinhas pelas costas do colegas, tal qual "Casa dos Artistas". Aliás, na minha opinião, até de forma mais cruel. Quem já teve o (des)prazer de acompanhar embates de egos intelectuais sabe do que estou falando. Pode-se mudar o QI, a formação e a carapuça, mas a natureza humana permanece a mesma, e, cedo ou tarde, aflora.

Bem, novamente voltando: trash, evidentemente, é trash, e deve ser encarado como tal. Se isso não for feito, o trash será erroneamente levado a sério, e será classificado como "ruim", "cretino", "superficial". O que, convenhamos, não apenas é ridículo como também redundante. Muito pior são coisas ruins, cretinas e superficiais que têm a pretensão de ser excelentes, inteligentes e profundas.

Há certas pessoas que, talvez por vaidade, talvez por insegurança, talvez por complexo de inferioridade (pois querem parecer mais inteligentes do que realmente são), fazem questão de gostar, ou melhor, mostrar que gostam, apenas de coisas tidas como cultas, inteligentes e culturalmente "superiores". Lamentável. E sem sentido. Todos gostam, em maior ou menor grau, tanto de coisas tidas como "inteligentes", quanto de coisas tidas como "burras". Todos. Então por que dissimular?

E há gente que não apenas esconde gostar de coisas "burras", como faz questão de alardear que gosta e faz apenas coisas "inteligentes", mesmo sem gostar. Isso sim é lamentável. E vazio. Assim, em contrapartida aos trashers, aparecem os chamados "pseudo-inteletualódies-culturaletes". Mas estes são assuntos para outros posts. Aliás, nem pretendo escrever sobre eles, pois já virou meio chavão falar mal de "pseudo-inteletualódies-culturaletes".

Mas enfim, sou um trasher. O que não significa que gosto apenas de coisas trash. Não. Gosto de muitas outras coisas que não são trash. Ou que pelo menos não são consideradas trash, porque, no fundo, tudo tem um Q trash. Mas o fato é que gosto de muitas coisas, muito diferentes entre si.

Quem me conhece, sabe que uma das muitas palavras, favoráveis ou negativas, que me definem, é "ecletismo".

Não gosto de limitar horizontes. E detesto senso comum. Quero entretenimento na sonata de Beethoven e na pegadinha do Sergio Mallandro. Aliás, talvez este post seja uma espécie de disclaimer, para que, depois, não venham falar, com surpresa: "Nossa, o Luis gosta do Programa do Sergio Mallandro?" Gosto, e garanto que não apenas das pegadinhas.

E com licença. Agora vou assistir ao "Show do Milhão", que já está começando.

Quarta-feira, Dezembro 05, 2001

 
Este post é em homenagem ao Américo, que, entre várias outras coisas, me ensinou criar links para palavras. Valeu, Mecão!

Segunda-feira, Dezembro 03, 2001

 
Hoje é meu aniversário. Que merda. Difícil uma data tão triste. É a contagem regressiva de sua vida exposta em números. É um rótulo indicando sua safra, e sua data de validade.

Aniversário só era bom antes dos 18, que é uma espécie de data de alforria, na qual você passa a poder fazer legalmente uma série de coisas interessantes. Depois, o prazo se inverte e passa a correr contra você. Não há nenhuma idade que você possa ter, depois de 18, que mude algo em sua vida. Talvez 65, para ganhar passe livre em ônibus, mas esta idéia é tão deprimente que prefiro não levá-la em consideração.

A cada aniversário, tudo que você ainda não fez na sua vida, mas deveria fazer, passa a ter um peso maior. Ser um inútil de 25 anos é pior do que ser um inútil de 24, que, por sua vez, é pior do que um de 23.....Deixamos de ser promissores para ser fracassados. O que era para ter sido, não é. O que é, não era para ter sido.

E o medo de perder as coisas que você gosta aumenta, na mesma medida em que aumenta o medo de jamais possuir aquilo que você sempre quis.

Da mesma forma, você se sente persuadido a deixar de gostar de coisas que você sempre gostou, pelo fato das mesmas serem consideradas como para pessoas mais jovens do que você. E também é obrigado a gostar de coisas que você sempre achou um saco, por serem mais adequadas à sua idade.

O fato é que, a cada dia, somos mais tiozinhos. E os cada vez mais jovens chegam para tomar nosso lugar, assumir nossos despojos.

Mas que legado? Muitas vezes nem isso conseguimos deixar. Não plantamos árvores, não escrevemos livros, não tivemos filhos. E o tempo corre......

Talvez certo estivesse Brás Cubas, que não teve filhos para não trasmitir o legado de nossa miséria.......

eis o descrente:

metalinguagem
desenbuche
ICQ 12729738

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