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Quinta-feira, Dezembro 26, 2002

 
Um dia, meus amigos, o pessoal vai falar de blogs, posts e comments e vai dar risada, como nós fazemos hoje com o Dip-lik e os cigarrinhos de chocolate e os tênis Ortopé. Mal posso esperar para receber mensagens daqui a 20 anos, seja lá como elas se processem nesse futuro, com textinhos engraçadinhos do tipo "você lembra quando tinha um blog e ficava escrevendo coisas bestas achando que ia impressionar alguém com os seus textos?". É, assim como a gente achava graça do Atari e suas bolas quadradas e a TV Pow e o tal do Super Herói Americano...
 
Testando uma dica morfínica:

Retrospectiva do ano:

SEGUNDA DIVISÃO!! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .SEGUNDA DIVISÃO!!

 
Rá-rá! Consegui. Hoje é dia 26 de dezembro! Consegui resistir à tentação de escrever um texto ácido qualquer sobre: a) peru de natal; b) amigo secreto; c) família reunida; d) o saco do Papai Noel; d) a total inadequação de se comer castanhas e nozes em pleno verão; f) o saco que é trabalhar nesse época; g) Especial Roberto Carlos e outras retrospectivas...

Pensando bem, quanto post eu perdi, hein?

Quarta-feira, Dezembro 25, 2002

 
Feliz Natal.



Terça-feira, Dezembro 24, 2002

 
Protesto:

Por que o site Guia SP, já há alguns meses, saiu do ar?

Sacanagem, pô! Era o lugar mais mão-na-roda para encontrar endereços de bares e restaurantes, horários de teatro e cinema, datas de shows e afins.

Agora, quando quero descobrir estas coisas, sou obrigado a ir naquela porra de UOL. Aliás, alguém teria uma dica melhor para o little father aqui?

Grato.

Domingo, Dezembro 22, 2002

 
Domingo à tarde, ICQ e Vanessa Marques pedindo pro tio Nishi contar uma história. Tasquei essa abaixo. Agüentem ,se conseguirem, pois foi publicada a pedido...

“Era uma vez um rapaz feioso e peposo. Rubão era o nome dele. Apesar do nome, era baixo e esquálido. Desejo de sua mãe, que já tinha um Paulão e um Tião, todos filhos de Manequinho, um anão corcunda que participava de jograis em circos

Mas Rubão não era anão. Só baixo e fraco. Sua mãe nunca lhe deu leite materno, pois achava que isso era coisa do demo. Crescido à base de sopa de capim-manteiga e alguns pedaços de pão, Rubão, ao menos, era barrigudo. Barrigudinho. Barrigudão. Aliás, esse era o único 'ão' de Rubão.

Suas diversões eram, basicamente, bater nos seus irmãos mais velhos, ainda menores que ele, e coçar uns bichos do pé que tinha, por coincidência, no pé.

Um dia, Rubão resolveu conhecer a vida fora da choupana onde vivia a família. Já com 23 anos, era hora de começar a ajudar Manequinho no sustento da casa. Alfabetizado na língua do pê, por conta da atividade profissional do pai - sim, Manequinho fazia jograis na lingua do pê - Rubão percebeu, na sua primeira ida à cidade que não era compreendido. Alguns riam, outros faziam cara de espanto. Uma velha senhora quis levá-lo para casa, para dar de mamar, mas Rubão aprendera que aquilo era coisa do demo e não quis ir. Aliás, a velha também parecia ser coisa do demo. Rubão se viu solitário e triste abandonado numa praça erma daquela cidadezona.

Rubão, porém, herdara toda a inteligência de seus pais, mesmo não tendo sido alfabetizado em língua de gente. Percebeu que quando falava mais rápido, alguns cães rapidamente apareciam ao redor. Começou então a narrar uma corrida de turfe, embora não soubesse o que era isso. Apareceu uma verdadeira matilha. Alguns cães traziam ainda os seus donos, arrastados pela coleira.

E o que Rubão resolveu fazer com essa habilidade? Hein? Hein? Hein?

Sim, Rubão começou a acreditar que era, na verdade, um cachorro. Um líder perante a cachorrada. E organizou o Movimento dos Cadelos Sem Cauda. Porém, como percebera que poucos seriam os seus seguidores - embora os mais fortes, dobermans e boxers, mas... qual a chance de existirem dobermans e boxers numa cidade do interior do sertão da periferia de Tocantins? -, visto a maioria dos cães possuírem o maldito rabo, resolveu mudar para Movimento dos Cadelos Sem. Muito mais abrangente, acolhia todos os tipos de cães que não tivessem algo.

Rubão organizou cachorreatas e manifestações. Os Vira-latas queria mais latas, já que o advento desses malditos sacos de lixo acabou com a vida deles. Os pequineses desejavam retornar a Pequim, para serem degustados do jeito como seus avós e bisavós o foram. Os boxers reclamavam operações plásticas, queriam ficar como a Lassie. E por aí vai.

Rubão passou a andar como um cão, o que lhe rendeu brotoejas e hematomas na patela e nos cotovelos. Infelizmente, quando o movimento ganhava vulto, atingindo também o Norte de Goiás, ele caiu e nunca mais se levantou. Uma das raras pessoas humanas que ousaram chegar perto daquele Floquinho humano, o Dr. Barney, declarou: câncer de joelho e dor de cotovelo. Rubão morreu. foi encontrado jogado em uma sarjeta com um cachorro lambendo sua boca. Poucos sabiam que, na verdade, era a sua amante, Tetéia, cadela que foi a única a conhecer o seu amor.

Eis a triste história de Rubão, enterrado como indigente, mas que viveu como um indicachorro mesmo.”

 
O meu grande defeito na vida cotidiana é ser um cara que não consegue falar não. Eu não consigo falar não á feijoada, à pizza, à coxinha, ao chocolate, à batata-frita...
 
Respondendo à doce Carla, que comentou dois posts abaixo, eu esclareço que o que eu escrevo aqui vem da minha cabeça muito automaticamente. É complicado, eu não preparo nada, ás vezes eu quero escrever, mesmo sem ter nada pra dizer. Isso aqui é um passatempo, até porque o verdadeiro dono do blog é o Luis. E aí vem o tema escatológico. Porque eu falo e penso muita merda. Nem sei como eu tenho um emprego daqueles que são vistos como "sérios", meu. Além disso, havia um tempo em que era de uso corriqueiro o verbo nishar. E injustamente. Porém, o fato é que "pegou" e eu acabei até assumindo um pouco o meu lado nishador. E esse verbo é sinônimo do verbo contido dois posts abaixo.

De qualquer forma, pelo menos eu não sou um cara "enfezado"...

Quinta-feira, Dezembro 19, 2002

 
Aliás, falando em evacuar, hoje, lá no trabalho, logo depois de almoçar, dei uma corridinha rápida até o banheiro para escovar os dentes. Abri a porta e dei de cara com o meu chefe evacuando. O puto não tinha trancado a porta. Estragou o meu dia.
 
Pensando na origem da palavra "evacuar" depois de ler um monte de comentários infames sobre uma evacuação de um prédio, descrita lá no veríssimos... Ê momento besta, não consigo pensar em qualquer outra que não envolva o óbvio cu. Aliás, por que pensar nisso? Odeio trabalhar com Direito, olha o que faz com a gente!
 
Ok, ficou insustentável, não vai ter jeito. Muita gente já falou disso e, depois dessa última, ficou impossível não falar, embora eu estivesse querendo passar um ar blasé ou algo do tipo, sei lá. O que interesse é que ficou complicado ignorar um comentário em relação a isso, por conta de seua genialidade, por mais que eu saiba que a maior parte das pessoas que trafega por aqui já conheça.

O Mundo Perfeito criou o sensacional gerador de letras. Não dá pra perder, não dá. É brilhante! Vá lá, agora! Já! Chispa, o que você tá fazendo aqui ainda? Clica aqui! Ou aqui! Ou mesmo em qualquer lugar onde esteja escrita a palavra Mundo Perfeito (sim, "mundo perfeito", para mim, é uma só palavra)!

Vai!!

 
Atendendo ao pedido do Nishi:

Hoje fui assistir ao filme "Fale com Ela". Gostei bastante.


 
Luis, dá pra postar também, pô? O blog é seu, caramba!

Terça-feira, Dezembro 17, 2002

 
Eu odeio camarão!
 
Ode á cebola!

Cebola, sagrado alimento
Só ao amor cabe comparação
Pois, picante,
Sinuosa, apaixonada
Esconde sempre uma nova camada,
Um novo sabor,
Um novo odor
E só como amor
Tanto prazer pode dar
Ao fazer chorar
Aquele que te provar

Cebola que invade meus poros
Cebola que marca minha vida
Cebola que me identifica
Cebola que anuncia mina ida
Seja crua e nua,
Seja temperada, empanada,
Cebola que me alivia
Ao deixar em minha alma
O torpor de seu paladar

Cebola, que me faz te amar!

Segunda-feira, Dezembro 16, 2002

 
Uma pequena brotoeja surgiu no meu ombro, coçando bastante. Choveu como o dilúvio da arca de Noé ontem, na hora que saí de casa. Consultei o meu Palm e encontrei um restaurante japonês cadastrado como "na faixa dos R$ 15", quando na verdade custou uns R$ 51. Babei pinga na camiseta. Pipoca queimada. Pão de queijo cru. Dial do rádio do carro sintonizado na 97,7 Energia. Downloads de Zeca Pagodinho. Cueca novinha rasgada quando levantei da cama. Jornal de domingo com 3 cadernos cotidianos repetidos. Tentativas de ligar um DVDokê em um aparelho de som CCE. Lente de contato que insistia em não entrar no olho. Lavei a mão com protetor solar, antes de colocá-la (o tubinho era idêntico ao do sabonete líquido). E-mail do Paulo Talarico no domingo. Eu tocando Amado Batista no violão. Telefones tocando às 7 da manhã. Gente que conversou comigo sobre uma pessoa chamada Borracha e sobre os espetinhos "Mu".

Esse domingo tava realmente muito estranho. O Santos até foi campeão...

 
A Biscoitinha Doce me postou. Ups! É por isso que eu digo que sou um commenter e não sirvo para ser um blogger.
 
Eu gosto de me imaginar andando por aí, sem rumo, mãos nos bolsos, de preferência em uma noite meio fria, pensamento perdido em qualquer coisa que eu não controle conscientemente.

Andar até não poder mais, andar sem saber por que, andar para gastar o tempo, sem querer pensar em nada. Quando estou assim, a melancolia me acompanha, uma melancolia aconchegante, de desamparo, com o rosto ao relento chegando a doer de frio com a garoa fina que corta a minha pele. Tudo isso, na verdade é um cenário ideal onde simplesmente caminho, propositadamente sem rumo, como se a minha vida se resumisse nisso.

E o pensamento me leva, esse viajante, sonhando acordado, num torpor de semi-consciência na qual não sinto o meu corpo, não sinto o caminhar, sinto apenas um dirigir-me para um lugar qualquer distante de onde a minha mente costuma estar. Estou e não estou presente. Não posso pensar que estou pensando em algo, porque no exato instante que tomo consciência disso, perco o torpor e volto a ser um simples japonês caminhando na chuva, ensopado, com frio, e longe de qualquer expectativa.

E ponho-me a caminhar novamente, esperando que novamente essa semi-consciência tome conta de mim e volte a viajar sem destino em meus pensamentos, caminhante noturno, esquecido da minha vida, perdido melancolicamente em pensamentos igualmente melancólicos mas que não são frutos da realidade. Isso basta para que, mesmo entristecido, fique feliz por saber que eles não existem. É o saldo de uma noite fria.

 
Todo mundo fala do Robinho. Tá, o moleque é um azougue, liso, habilidoso, rápido. Pode virar um craque, ou pode ser mais um jogadorzinho habilidoso que por "n" motivos não se transformou num gênio da bola, como um Marco Antônio Boiadeiro, por exemplo. Não se sabe o futuro dele, mas ele já faz parte da história, de qualquer forma, como o fizeram um Nilton Batata, um Juari e um João Paulo, do Santos de 1978, o primeiro time dos "meninos da Vila". Ok, agora que eu já mostrei o meu lado Mílton Neves, passemos ao fatos. O Robinho foi um inferno pra defesa do Corinthians, mas o grande responsável pelo título nesse jogo final foi um outro rapaz, chamado Fábio Costa. Maldito! Fechou o gol, desgramado!

Sábado, Dezembro 14, 2002

 
Perdi muito tempo com o post abaixo. Leiam-no.
 
O tempo... ah, o tempo!

O tempo é algo que as pessoas costumam analisar em seus escritos. Tema recorrente na maioria das pessoas que gostam de escrever, seja diretamente, seja indireta, seja como relato real, seja ficcional, o tempo é sempre presente.

E eu tento não perder o tempo. Por vezes ele foge de mim como o diabo foge da cruz. Por vezes ele é cruel em sua pequenez, quando tanto preciso dele. Em outros momentos ele é enorme e vazio, quando preciso que simplesmente eu não o perceba. Nessa hipóteses, porém, ele é mais do que presente, fazendo questão de se mostrar para mim, resoluto e imperioso!

Eu tento não perder o tempo. Tento não perder tempo com quem não quer passar o tempo comigo, mas nem sempre consigo. Em certas horas, por mais que esqueça, o meu pensamento está perdido no tempo com essas pessoas.

Da mesma forma, tento aproveitar o tempo. Usá-lo a meu favor. Mas ele é independente e não se deixa domar. O tempo é relativo em sua absolutidade. Quando não o percebemos, passa rápido, quandp nele nos prendemos, perceptível e claro ele o é. Mas é absoluto, nunca deixará de ser notado. Nem quando não é percebido, a gente acaba comentando que "nem viu o tempo passar". Ah, o tempo, esse tempo, que demora tanto a passar quando precisamos dele, e passa tão rápido quando não precisamos!

Ás vezes acho que o tempo serve somente para ser contraponto. Se precisamos dele, se esvai. Se não, demora a passar. O tempo é a contrariedade, nessas horas. Mas não é só isso. O tempo também é senhor de nossa vida, sem que a percebamos. Eu não senti o tempo passar para mim, mas eu envelheci. Sem perceber o seu transcorrer, envelheci. Se pudesse, se tivesse percebido isso, pararia. Mas não, eu simplesmente fiquei mais velho sem saber por que! E hoje não sou o que era antes. Gostaria de ser, mas não sou. As pessoas com quem pretendo não perder o tempo, estão me fazendo perder o tempo, sem que possa fazer algo. Não sou mais um moleque, mas me sinto como tal. Só que o tempo passou e diz isso. E não consigo negá-lo, não consigo contrariá-lo. Velho arcaico, que gosta de coisas dos anos 80, percebo que duas décadas e meia vivi sem saber como ou porquê. E não acredito que um dia alcance isso.

Só o tempo dirá. Só o tempo. Tempo, sempre ele.

 
Ah, gente, o Cabeça voltou! Boas-vindas para o Head. Por enquanto ele ainda não pediu sorvete na padaria com sotaque francês, motivando uma reação irada do padeiro, o que só mostra que as pessoas - até o Cabeça - podem aprender com os próprios erros!

Sexta-feira, Dezembro 13, 2002

 
... e eu comi o famoso pastel do trevo de Bertioga! O treco tem o tamanho dos meus ombros! Em cálculos realizados com a Miss Morphina, recém-ingressa no mundo da marombagem, descobrimos que, se o tal do pastel tem umas 6.000 calorias e se 5 km na esteira em 30 minutos gasta umas 300.... hum...noves fora... precisaria correr 100 km para gastar as calorias do tal pastel! Da próxima vez, eu vou correndo até Bertioga, para me garantir...


 
Ela acha que o inferno é um lugar onde o Kenny G está em todos os sons produzidos. Concordo, mas, espírito de porco e oportunista, também fiquei imaginando outras dimensões de inferno para postar e deixar o blog do Luis bonitinho e engraçadinho.

Inferno, por exemplo, é ter que assistir Waterworld com vontade de mijar. Água, muita água! Inferno pode ser também um lugar onde existam ciganas tentando ler o seu futuro e ficam pegando no braço o tempo inteiro. Imagine ter que enfrentar a ciganada naquele trajeto entre seu quarto e a cozinha para tomar água. Ou tentar andar até o banco para pagar uma conta e enfrentar, nos 100m de trajeto, umas 8.000 ciganas? Ave-maria! Uma variante disso seria ter que andar em ruas apinhadas de gente e camelôs, sob um sol de 35º, vestido de terno escuro todo o dia e toda hora!

Inferno também seria um mundo onde você está condenado a ver TV o dia inteiro. E ligada no Ratinho. Você até tem o controle remoto e tenta fazer algo. Mas muda de canal e vê o Gilberto Barros. Muda de novo e aparece o Datena. Muda outra vez e... João Kléber. E eles se sucedem! Faustão, Gugu, Galvão Bueno, Raul Gil, Latino, Marcos Mion, Milton Neves, Jô Soares "tocando" bongô... Cristo!

Ai, ai, ô inferno! Que tal viver num lugar onde a única alimentação é Fibrax? Onde as únicas opções de cabelo são bandana ou cabelo loiro de pagodeiro? Onde todo mundo tem a voz da Tetê Espindola? Onde você é motorista eternamente e todos os carros andam permanentemente de farol alto? Onde o chocolate, a batata frita, a água de coco, a cerveja, a feijoada, a pizza, as massas e o churrasco tenham propriedades laxativas tão fortes como lactopurga? Onde usar o único desodorante permitido, o Avanço, seja obrigatório? Onde exista sempre areia na cueca? Hê-lá-lá!!

 
Faz tempo que eu não faço isso e tenho certeza que tem gente que até esqueceu, por conveniência ou por querer confirmar a tese de que o povo brasileiro não tem memória. Mas eu tenho e comemoro:

SEGUNDA DIVISÃO! SEGUNDA DIVISÃO!

 
A título de esclarecimento, qualquer pessoa que fale sobre o tal do Kenny G e que cogite sobre a sua existência consequentemente pensa nele, exceção feita a mim. Assim isso funciona no meu mundo perfeito (sem link porque não é "o" mundo perfeito, mas "o meu" mundo perfeito)!

Quinta-feira, Dezembro 12, 2002

 
Domingo á tarde

Ele se deixou cair cambaleante na cama. Ela olhou com desdém, fazendo o seu tricô na cadeira de balanço. Ele se arrastou em cima da cama até seu lado e resmungou algo como sempre fazia. Ela também resmungou, porque os resmungos dele atrapalhavam-na. Ele emitiu grunhidos roucos e começou a resfolegar pesadamente. Ela se inquietou com o barulho, mas resolveu não falar nada pra não ter que brigar com ele. Ele olhava pro teto como um bobo, olhos vidrados no lustre. Ela manteve sua atenção no tricô, tentando ignorar aquela presença incômoda. Ele gemeu baixo e profundamente, sem muita força. Ela já estava se irritando com aqueles ruídos. Ele tossiu como um cachorro rouco, deitado e imóvel na cama. Ela tricotava e pensava como tinha se casado com aquilo. Ele se virou pesadamente e deu as costas para ela. Ela tricotava. Ele com a boca entreaberta deixava escorrer um fio de baba no lençol. Ela tricotava, incomodada com "aquilo" no "seu" quarto, mas aliviada pelos ruídos terem cessado. Ele morreu de enfarte, sofreu durante horas. Ela não percebeu, mas se tivesse percebido não teria feito a menor diferença.

Quarta-feira, Dezembro 11, 2002

 
Li esses dias na internet sobre:

- gente que quer reencarnar como samambaia
- gente que quer ganhar um pôster do Rick Astley no Natal
- gente que espalha catupiry nas paredas da casa dos outros
- gente que gosta de papel higiênico falante
- gente que fica pensando em Kenny G
- gente que procura fotos do Super Flying Cat
- gente que acredita na "Conspiração lasca de queijo"
- gente que foi esfregado pelo saco de um senhor obeso
- gente que torce pro Santos
- gente que ainda se dá o trabalho de entender as leis, mesmo que seja "lei do esparadrapo" ou "lei das unidades de medida"
- gente que machuca o saco se arrumando na cadeia.

Mundo louco esse, não? Quem inventou essa tal de internet não pensou nessas coisas.

 
Mitose, meiose, micose

Sempre foi um dilema entender a semelhança dessas palavras e saber como eu nunca as confundi numa prova do colégio. Nisso eu acredito que era particularmente bom. Eu não cometia erros grosseiros como descrever a "micose" de uma célula. Em compensação, de tanto fazer piadinhas infames com essas palaras - infames de verdade, ingênuas mesmo! - acaba por vezes trocando significado delas no dia-a-dia. Ficava com meiose no pé, sabe? E após perceber que estava com meiose no pé, ria e começava a dizer que ia tirar a meiose para colocar um chinelose ou um sapatose.

Esses problemas assolam minha vida. Pagar um micose, ao invés de pagar um mico, considerar o Jimi Hendrix um mitose da guitarra. Essa fase é ruim, porque você se acostuma com essa sufixação barata trocadilhística e acaba deixando atônitas as pessoas que te cercam. Alguns fingem que entendem o seu jeito "sui generis" de se expressar e os mais simpáticos até comentam que acharam engraçado. Isso logo passa após a terceira mitose. A maioria não entende o que você disse, mas logo saca a cretinice após você repetir isso pela décima vez em menos de um minuto. De qualquer maneira, a totalidade das pessoas acaa tendo que arranjar um meiose de se livrar de você.

Se eu simplesmente tivesse micose nas minhas células, tudo ficava mais fácil. Mas não, tendo micose no cérebro, acabo me transformando nu mito da imbecilidade, aponto de escrever e gastar muites palavras só pra falar esse tipo de anseira. E no final das contas, eu nem lembro mais a diferença entre mitose e meiose.

Sem graça, né? Isso porque eu nem comecei a pensar em Adenina, citosina, timina, guanina. As aulas de biologia tiveram um efeito pesado sobre mim.

 
Se meu apartamento falasse...

Terça-feira, Dezembro 10, 2002

 
Musiquinha de Natal by Garotos Podres

Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Mas nós vamos sequestrá-lo
E vamos matá-lo
Por que?
Aqui não existe Natal - 4x
Por que?

 
Piloto de auto-ajuda...

Havia um paiol perdido no meio do deserto. Não se sabe porque ou como, já que não havia sinal de viv'alma num raio de 100 km. Porém, nem pensei nisso quando o encontrei, todo esfalfado, faminto e sedento por uma chance de sobrevivência.

Me arrasto até lá e encontro as portas miraculosamente abertas. Cautelosamente, entro no paiol, que era muito maior do que me parecera quando o vi pela primeira vez, distante, perto de um horizonte sem fim. E encontro alimentos e tonéis de bebidas, bem conservados, bem armazenados, como se até ontem alguém tivesse estado ali cuidando do lugar. Reuni as poucas forças que me restavam, inspirei profundamente, e mergulhei naquele mundo de sonhos. Comi, bebi o vinho, me embriaguei com o meu estômago. Saciado, recostei-me em um canto do paiol e dormi profundamente.

Tive um sonho idêntico ao que vivera. Quando acordei, porém, me vi novamente perdido no deserto. Mas a fome e a sede tinham passado. E a velha e puída mochila onde carregava os meus últimos trapos estavam cheias de comida e água. Sem entender nada, mas sem perder tempo questionando esa estranha ocorrência, pus-me a caminho novamente, lentamente, como se nada tivesse acontecido.

Ao cabo de 8 dias, finalmente saí do deserto. Cercado por uma vegetação rasteira verdejante e divisando à distância uma pequena aldeia, onde certamente poderia tentar obter informações sobre a minha vida, da qual não guardava nenhuma recordação, sentei-me um pouco e tentei entender aquele fenômeno. Nada me ocorreu, mas entendi que certas coisas na vida nós precisamos primeiro fazer para depois tentar entender. É uma questão de sobrevivência. E de esperança.

Segunda-feira, Dezembro 09, 2002

 
Adesivo que acabei de ver num Corsa verde, 4 portas, placa CJC-6959 (sim, nome aos bois, esse merece):

"Estou dirigindo bem não, FODA-SE o carro e meu"

Como se processa um cara desses? Atentado violento ao português? Gramaticídio? Lesão ética de natureza gravíssima? Burrice qualificada? Aaah, as leis deste país, por que não punem esse tipo de idiotice?

 
Natal é uma época de comunhão de povos, raças e símbolos não é? Pelo menos é isso o que as Igrejas cristãs sempre propuseram e deixaram como legado, dentre outras coisas, nessa influência européia que rege este planetinha. Então, porque é que só falam no tal do gordo do Papai Noel? Ok, ele é a representação do Natal, o bom velhinho que traz presentes, mas se o Natal é tanta coisa, acho que deveríamos fazer uma confraternização e chamarmos todos os símbolos para comemoração. A data maior precisa disso, como se fosse um USA for Africa, entendem? Então, cadê o Rei Momo, o Coelhinho da Páscoa, o Peru de Ação de Graças, o casal caipira da festa junina, as bruxinhas do Halooween... cadê todo mundo? Juntemos todos, espírito natalino é festa geral!

E Papai Noel de bermuda e camiseta regata, por favor! Nessa calor não dá pra ficar suando como se estivesse numa sauna. Assusta as criancinhas! Passa uma geladíssima pro tiozão aqui!

 
Ah, Mr. M, senhor de todos os truques e das máscaras chabis... onde anda você, nesse momento em que se faz tão necessário desvendar a mágica daquela molecada do Santos...

Domingo, Dezembro 08, 2002

 
A vida é feita de sonhos e frustrações. O ser humano sempre caminha pela vida com essas duas questões a resolver. Sonha, se frustra por não conseguir viver o que sonha, muda o sonho, se frustra de novo e por aí vai. Poucos alcançam o que sonham. E destes poucos, a grande maioria percebe que o sonho realizado não é bem aquilo que achavam. Mais frustração.

Sortudos os que acham nos sonhos a satisfação. Eu sonho em achar a satisfação. Mas não sei se estou satisfeito com isso.

 
O Inagaki falou e eu compartilho de sua frustração. Eu também nunca comi aqueles feijões saltadores que apareciam no desenho do Ligeirinho. Poxa...

Sábado, Dezembro 07, 2002

 
A pedidos:

"A toast to love on my terms. Those are the only terms anybody will ever know: his own" (Charles Foster Kane)


 
Como diria o Gaguinho:

S-s-se-segunda divi-vi-são, p-p-pessoal!!!

Quinta-feira, Dezembro 05, 2002

 
Não, não adianta vocês me chamarem de chato. Eu não sou chato! Lógicamente que isso é uma visão própria que eu tenho de mim mesmo. Mas eu não sou chato. Chato seria se eu ficasse lembrando que "logicamente" não tem acento, por exemplo. O que eu sou é apenas um observador arguto e circunstancial da realidade na qual vivemos. Ok, o fato de me auto-elogiar ou de me auto-adjetivar já é por si só algo questionável. Sei disso, porque questiono sempre esse tipo de coisa. Odeio ler num cardápio um adjetivo elogioso, por exemplo. Odeio pegar um menu e ler algo do tipo "Filet a Dorinho - Deliciosa ponta de alcatra com suculento molho de salsa e manteiga, delicadamente temperados com pimenta, acompanhado com o arroz especial do chef e as tradicionais batatas fritas do Dorinho". Agh, isso é a morte. Eles querem implantar um bom gosto em mim! Tire todas as palavras em negrito - inclusive a que não é adjetivo - e será evidente que o prato é totalmente compreensível. Se eu quiser a opinião de alguém eu pergunto pro garçom, pra algum cliente da mesa ao lado, leio uma crítica gastronômica, sei lá!

Mas enfim, voltemos ao papo principal, que nem é tão principal assim. Na verdade é uma bruta enrolação só para que eu destile um pouco de veneno sobre algumas coisas. Não, não planejei isso. Tem gente que vê um oculto sentido quando eu escrevo determinadas coisas. Nem é assim, simplesmente comecei a escrever e veio esse tipo de coisa, arguta e circunstancial. A-há! Entenderam porque eu me denominei assim? Ah, vai, não foi tão ruim assim, vai! Eu abro uma exceção para mim mesmo, oras. Afinal a existência de exceções só confirma a regra, não é mesmo?

Hum... não, outra tremenda asneira, né? Não sei quem foi que inventou essa frase terrível, mas o fato é que ela acabou pegando, transformando-se numa das formas mais corriqueiras de falsa argumentação. Desde quando a existência de uma exceção confirma a regra? Quer dizer então que não existem regras absolutas? Ou, melhor ainda, se existirem, elas não são válidas? Agora então, todo o pesquisador sério que quiser estipular uma regra científica, matemática, biológica, química etc, vai ter que procurar a exceção. Porque sem exceção não há regra! Olha só que asneira. Isso virou uma forma de viabilizar e justificar as cagadas que de vez em quando falamos. Nós não somos perfeitos, fazemos e falamos um monte de besteiras na vida, mas quem disse que precisamos assumir? Naaaada! Usamos esse brocardo e pronto! Justificamos nossa asneira e saímos pimpões, de peito estufado.

É fogo, né? E eu aqui abrindo o jogo e pisoteando todos os meus falsos argumentos. Mas, também, quem mandou tentar ser arguto e... circunstancial? Aliás, "circunstancial"? "Circunstancial" não vem de circunstância? Qual a circunstância da qual estou me aproveitando para demonstrar que sou um observador? Eu posso criar a circunstância? Porque é isso que eu estou fazendo, criando um fato para montar em cima dele e começar u meu blá-blá-blá. Notaram? Viram? Outra colocação imbecil.

A vida é assim mesmo. A gente lê muita asneira por aí. E mesmo quando não lê, quase sempre existe um modo de criticarmos. É muito fácil ser estilingue. Posso, por exemplo, posar de radical ou desbocado e acabar com a discussão com um palavrão definitivo. É o que aconteceu certa vez na PUC. Um aluno se levantou durante uma palestra ou um seminário e, perfilhando uma ilustre figura da banca, declamou: "O problema desta faculdade é um só: se chama Geraldo Ataliba". O professor, ilustre, talvez o maior tributarista de nosso país, com toda a sua autoridade, levantou-se e berrou: "Vá pra puta que o pariu!". Silêncio e discussão encerrada. Lógico que isso só funcionou porque se tratava do Geraldo Ataliba, ilustre pelo seu saber jurídico e por ser desbocado e extremamente irritadiço. Mas outras frase funcionam, sem serem palavrões, o que qualquer um faz. "Você gosta de Skid Row? Não, eles fedem!" Acabou a discussão!

Mas, enfim, o fato é que eu comecei esse texto sem saber para onde ia e, de fato, ele me levou a lugar nenhum. Pétalas de acidez, algumas colocaçõezinhas irônicas, outras tantas auto-irônicas e aqui estamos com um texto pronto para se publicado. E nem venham em perguntar sobre as outras formas para se criticar algo, ou mais manifestações sobre a minha chatice. Ou sobre a minha argucid... qual o maldito substantivo derivado do adjetivo arguto? Bom, não importa, ficou bem claro. O texto é incompleto, falho, mas cumpriu o seu papel de encher lingüiça. Isso porque eu nem comecei a devanear (tá certo isso?) sobre a expressão encher lingüiça. Fica para uma outra ocasião em que precisar fazê-lo.

Terça-feira, Dezembro 03, 2002

 
NISHI, O QUE VOCÊ FEZ COM O MEU LAYOUT??!! :-)
 
E em homenagem ao aniversariane e dono deste blog, vamos entoar um mantra:

Seguuuuuuuuuuunnnnndaaaaaaa diiiiiiivvvvvvviiiiisssssãããããããããããããããoooooooooo...

 
Eis o dia, grande dia. Feliz Aniversário ao dono deste blog. Parabéns, Luis!!!


Domingo, Dezembro 01, 2002

 
Fashion podreira

Uma coisa que me deixa absolutamente inquieto e curioso é saber por que, por que, minha gente, por que é que existe essa moda fashion-office-boy-periferia de colocar os óculos escuros na nuca. É algo absolutamente intrigante. Oras, pra que servem os óculos esculos? Proteger os olhos do sol, com estilo e beleza. Tem gente que, por estilo, fica com os óculos escuros em ambientes escuros, à noite mesmo, o que eu acho o cúmulo do cretinismo, embora não possa negar que já fiz isso. Ás vezes é interessante não deixar as pessoas saberem para onde você está olhando, às vezes simplesmente eu, que sou míope, não tinha outros óculos à mão.

Agora, se usar óculos escuros à noite é algo besta, o que explica usar óculos escuros na nuca? Quem foi o podre do pagodeiro que começou com essa moda, seguida avidamente por inúmeros adolescentes ou mesmo adultos toscos da periferia? Pior que isso só a sua combinação com camisa de algum time de futebol que eles sequer conseguem pronunciar o nome. Outro dia, vi um rapazote destes, com os cabelos descoloridos, óculos de surfista pendurandos na nuca, e uma camisa do Borussia Mönchengladbach. Ah, pede pra falar o nome do time! Pede!

Quando me peguei pensando nisso, me vi como um chato elitista, criticando a voz das ruas. Mas não! Eu ainda acho que muitas vezes são os office-boys que conduzem á popularização de um determinado item de vestuário. Caso das calças cargo, dos bonés, dos tênis. O problema é que tem coisa que é uma puta falta de bom gosto, como essas. Por isso, o apelo: por favor, não coloquem óculos na nuca! É ridículo demais!!!!

eis o descrente:

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desenbuche
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